Os investidores da GVC votam contra a política de pagamentos da empresa

Vito Zapata Olivera | 11 Junho 2018

A política de pagamentos da GVC está sob escrutínioOs acionistas da GVC Holdings, a empresa gigante que opera no setor dos casinos online, opuseram-se fortemente às remunerações auferidas pelo CEO da empresa, Kenneth Alexander, e pelo seu presidente não executivo, Lee Feldman, bem como àquelas que foram pagas a outros executivos de topo da empresa. Os acionistas expressaram a sua revolta durante uma Assembleia Geral realizada na última quarta-feira.

Quase 44% dos acionistas da operadora votaram contra o relatório das remunerações que lhes foi apresentado numa sessão de votação não vinculativa. O relatório revelou que o CEO Kenneth Alexander recebeu em 2017 um enorme salário global de 18 milhões de libras, um valor apenas ligeiramente inferior aos 19,4 milhões de libras que tinha recebido no ano anterior.

No entanto, esta remuneração continuou a ser considerada desproporcionada pelos investidores quando comparada com os padrões do mercado. Lee Feldman, por outro lado, ganhou mais de 9 milhões de libras no último ano – o segundo maior salário anual de acordo com o relatório das remunerações da GVC relativo a 2017.

O CEO ganha 45 milhões de libras em opções sobre ações

Ficou esclarecido que o CEO da GVC Holdings recebeu, apenas desde 2016, o correspondente a mais de 45 milhões de libras em opções sobre ações, enquanto o Presidente Lee Feldman recebeu mais de 22,5 milhões de libras em opções sobre ações durante o mesmo período. As ações da GVC fecharam nas 10,36 libras na noite de 6 de junho, levando a empresa a atingir um valor colossal de quase 6 mil milhões de libras.

A questionável política de pagamentos da operadora suscitou também uma forte oposição durante a Assembleia Geral de 2017. Ainda assim, os gestores de topo da empresa parecem não ter dado, até à data, grande atenção a estas reações negativas. Em 2016, o relatório das remunerações da GVC recebeu mais de 45% de votos contra.

Muitos representantes de investidores tiveram a preocupação de aconselhar os acionistas da empresa a votar contra as políticas de pagamentos da GVC, ainda antes de Assembleia Geral de 6 de junho. De acordo com um relatório da Institutional Shareholder Services (ISS), os pagamentos aos principais executivos da GVC não eram congruentes com os padrões atuais do mercado. Na verdade, Glass Lewis classificou as remunerações como "excessivamente desproporcionais".

Peter Isola renuncia ao cargo após a votação

A presidente da comissão de remunerações da GVC, Jane Anscombe, referiu na semana passada que os membros da comissão estavam desapontados com os votos negativos, mas não deixaram de tomar em consideração as opiniões dos acionistas. Ela salientou que a empresa desejava recompensar adequadamente e manter a equipa de gestão atual, mas que a sua comissão está neste momento preparada para falar sobre o problema com os investidores dissidentes.

Na recente Assembleia Geral foi também anunciado que o administrador não executivo Peter Isola optou por deixar a comissão de remunerações da GVC, mesmo depois da sua recondução estar assegurada. O papel de Peter Isola enquanto membro da comissão tem sido questionado, desde há vários anos, depois do seu escritório de advogados, sedeado em Gibraltar, ter ganho milhares em honorários pelos serviços de consultoria prestados à GVC.

No seguimento da votação negativa, Lee Feldman manifestou preocupações sobre a “perceção de independência” de Peter Isola, prometendo falar com os 43% de acionistas que votaram contra a recondução deste enquanto membro da comissão.

 

Links de referência:

http://www.casinonewsdaily.com/2018/06/07/gambling-giant-gvc-rocked-by-shareholder-revolt-over-ceos-18-million-pay/